segunda-feira, 5 de março de 2012

Jorge Amado e os Capitães da Areia

Um olhar ao nada,
que diz tudo,
na vida crua,
em um velho lugar,
um tal de Trapiche sob a lua.
Ainda eram crianças.
Se eram...
Mas já viviam feito homens,
como grandes,
que derrubam as negrinhas no areal.
Pobres virgens que deixam ali a sua dignidade.
Sombras vem,
e algumas já se foram,
outras até antes do tempo.
"Companheira",
pensava Pedro.
Pedro Bala,
feito bala perdida mesmo,
de prata,
que a mansidão ataca,
aos olhos, ouvidos, aos sentidos
de quem mata.
Esteja pronto, Capitão!
Com um punhal de areia,
e algumas conchas na mão.
Sabemos o quão difícil é essa vida de pobre,
que sofre,
que morre,
um pobre rico proletário,
que luta pelo seu humilde salário,
e ainda atua em greves,
como um  pai forte,
que se recusou ao poder do fracasso.
Mas cá estamos,
ainda lutando,
pelos nossos direitos de criança,
de sertanejo, pobre, baiano.
E ouvimos a música,
o doce som,
da água dos mares,
da terra de Lampião.
Grande guerreio,
vingador,
que traz legião.
"É meu padrim..."
diz Volta Seca,
que abandona os vagais,
e vai para o grande sertão.
Em um vagão,
mais um se foi,
lutar ao lado de Lampião.
Mas penso mesmo,
em retratos,
pinturas,
e tudo o mais.
Pinte a mim, Professor!
Também quero ser retratado nos cais.
Põe mais!
Mais um pouco de bala perdida,
de vida bandida,
de sexo quente com as negrinhas.
Chega para cá, Chefia,
quero ver Pedro Bala brilhar.
Lutar.
Como um Capitão,
à beira do mar,
se afogando em sonhos,
de que Dora irá voltar.
Mas lá por cima,
ela há de brilhar,
como uma estrela,
um fogarel,
um luar,
com um cabeleira loira,
que os meninos abandonados sempre irão se lembrar.
Fora uma grande Capitã.
Mulher.
Maior que Rosa Palmeirão,
e de todas que puder.
Também queria ser um Capitão,
para furtar, vagabundar e viajar,
na imensidão da morte,
dessa vida tão pobre,
que os céus há de abençoar.
Oh, Jorge Amado,
obrigado,
por encher nossos olhos,
e nos fazer vagar,
pelo teu mundo obsceno,
como um ser sem contento,
que a vida há de ensinar.
Obrigado, Jorge Amado,
por nos fazer delirar.

Um comentário:

  1. Intensa mente


    As vezes preciso viver
    a minha intensa mente
    imaginativa,
    criativa
    e louca
    para dar
    á vida
    novos sentidos,
    para jamais ter
    uma tensa mente...


    Poeta Francis Perot

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