sábado, 31 de julho de 2010

Paranóia

Não sei se poderei falar,sem que me escute.Me deixe...me deixe simplesmente tagarelar,me deixe contar meus versos mau feitos,me deixe aqui no meu canto,me deixe aqui a sonhar.
Meus pés frios e trêmulos caminham até a janela,e o crepúsculo ilumina todo o quarto.Não sei se meu reflexo no vidro da janela é meu mesmo,ou é o puro reflexo dos meus atos.
Sim,eu estou sozinha.Portanto eu posso falar,não sinto meu coração bater...faltam dez anos pra ele parar.
O frio mórbido que domina meus pés sobe até minha cabeça.Pena que essa camisa de força não me deixa escolha.Tudo branco.Tudo laranja.Tudo igual...
Me sento na cama  esfarrapada,e o sol se põe.Meus olhos já não conseguem ver aquele laranja que me enjoava,devo estar grávida...devo estar  grávida de agonia congelante que tanto me tortura nos meu passos trêmulos e indecisos.
Nem eu entendo,nem eu entendo...
Pois bem,me deixe falar...me deixe negar que não estou ficando louca.Sabe?
Na verdade,são reflexos,são reflexos de personalidade.Sombras sobem pelas paredes e me devoram.Eu grito...eu rolo...Me jogo no chão.
São meros delírios,são meros frutos da imaginação.
Me deixe falar...me deixe chorar sozinha minhas lágrimas de sangue.São atos isolados.
Não me mexo,não sinto meus braços.
Por mais uma vez eu te peço,me deixe falar...eu quero me abrir e te dizer sobre a minha paranóia.Depois de toda minha estória,ainda tem dúvidas sobre meu reflexo refletido nas minha palavras?
Me deixe falar...me deixe negar que não estou louca.E o mais ruim não é falar e falar tanto,é não querer ver,nao querer acreditar...
Portanto,me deixe aqui a falar...


Ana Carolina

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