terça-feira, 9 de setembro de 2014

Tchau.

Eu vou vê-lo de novo?
Vou tocá-lo?
Vestido de incertezas e implorando chuva aos deuses, pelo menos por mais uma vez, de novo?
Vou poder questioná-lo o porque de tudo estar bagunçado e por não ter tomado o café que lhe deixei na mesa?
Já estava frio?
Eu juro que me atentei a deixá-lo quente, fresco e bom. Como costumava ser quando chovia e deixava o chuveiro ligado, com a porta do banheiro bem aberta, sem toalhas penduradas. Só o vapor quente de mais uma vida se desgastando por um café, e a chuva lá fora gritando para que eu a apreciasse. 
É engraçado ver hoje o que antes não via. Se eu pudesse correr, certamente correria. Mas aqui fiquei com o propósito de entendê-lo. 
Veja bem o que quero dizer. 
Você se conhece tão bem a ponto de dizer que tudo está pendurado no universo, suspenso por sonhos de cursar Filosofia e música e ser feliz?
E o café! Pois é!
Esfriou. 
E eu ri da sua cara de desapontamento.
Só não me deixe aqui. 
Você prometeu voltar e eu prometi não fazer mais promessas. Você sorriu, não mentiu e continuou prometendo sobre me levar a lugares e fazer coisas.
Acontece que eu não quero ir a lugar nenhum e nem fazer coisa alguma.
Vá bem, querido. Te vejo em alguns desses bares desgostosos da vida.
Sobre o teu corpo?
Vou me lembrar dele, dos prazeres e das agonias.
Fique bem. Se não puder voltar, amém.
Vou ficar aqui me recordando das coisas que nunca falamos.
Daquele beijo na testa e suas mãos implorando misericórdia sobre o meu corpo de santa.
Mas tudo bem, mande um beijo para aquela lá e outras tantas.
Fico no aguardo de novidades.
Quando quiser voltar, sentir meu cheiro e me prender bem firme pelo cabelo,
vou lembrar de todo o desprezo e agradecer por não ter que perdê-lo.
Nunca foi meu, né cara?
E eu tô nessa mesmo.
Nessa de não saber pra onde ir.
Mas vou.
E vou vê-lo de novo?
Vou tocá-lo?
Acho que não.
Não quero mais.
Beijo.

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