quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

Maria

Vai com calma, gata.
Tente não se machucar. Se for muito forte pode doer. Vai com calma.
Assim.
Isso.
Isso.
Assim.
Continua.
Vai, Maria.

E era tudo assim.
Quando alguém chamava seu nome era como um ogro gritando num alto-falante para uma plateia de mil pessoas. O coração dela ficava louco.
Mas ela não pode amar ninguém, nem nada, nem qualquer coisa.
Ela não consegue nem amar a si mesma.
E é mais ou menos por aí que as coisas estavam andando.
Ela não diz o que acontece, então fica um pouco mais fácil de deduzir. Ainda mais quando se trata dela.
Quais chances ela teria?
Ela poderia mudar as coisas e se reorganizar, mas não é esse o jeito dela.
Ela simplesmente faz.
Pronto.
Ela só devia ir com calma.
Tentar não se machucar. Ela sabe que se for muito forte pode doer.
É, ela devia ir com calma.
Isso.
Calma.
Isso.
Assim.
Continua.
Quais chances ela teria?

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