terça-feira, 19 de novembro de 2013

Era o que estava em todo lugar

E ela escreveu um poema e o intitulou de "Verde-mar" porque era o que estava em todo lugar.
Depois ela o abraçou e ficou com medo de não poder fazer mais isso.
Então ela escreveu outro poema e o intitulou de "Vazio" porque era o que estava em todo lugar.
Depois ela esperou a resposta dele de uma mensagem e ficou com medo de que ele nunca a respondesse.
Então ela escreveu outro poema e o intitulou de "Finalmente" porque era o que estava em todo lugar.
E deu um tiro em cada maldita expectativa
e achou que não conseguiria mais escrever nenhum poema.
Então ela escreveu outro poema e o intitulou de "Tranquilo, tranquilo" porque era o que estava em todo lugar.
Depois comentou com as amigas o quanto estava bem e o quanto tinha superado aquilo.
E ela escreveu um outro poema e o intitulou de "Estou cansada, quero dinheiro" porque era o que estava em todo lugar.
E ela pegou seu dinheiro e comprou um chocolate.
Ela achou que depois disso não esperaria mais nada dele.
Mas ela escreveu um outro poema intitulado "Ainda aguardo resposta" porque era o que estava em todo lugar.
Depois ela ficou tranquila e viu que conseguiria viver sem aquilo.
E escreveu um último poema antes de se afogar no Verde-Mar e o intitulou de "Eu sempre soube que era nada" porque era o que estava em todo lugar.
E deu um pulo em cada maldita esperança
e não achou que fosse conseguir achar alguém legal de novo.
Ela achou.
Mas ela não escreveu mais poemas intitulados. 

Inspirado num trecho do livro As vantagens de ser invisível.http://pensador.uol.com.br/frase/MTIyNzYzOA/

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