quinta-feira, 1 de agosto de 2013

Querido, você é chato demais para mim

Então querido, se chegar amanhã e você noticiar pelo telejornal que uma garota se autodestruiu, então finalmente pegue suas malas e suas tralhas filosóficas de quinta e vá embora. Até mesmo porque eu já fui.
Você é chato, e eu não tenho paciência de ficar ouvindo você falar de Godard. Suas músicas são melancólicas e nostálgicas. Isso me fazia mal. Eu não conseguia pensar colorido, só via imagens em preto na minha cabeça.Me via perdida. 
Aí eu sai seminua pela rua principal e fui embora. Muitos ficaram me olhando estranho, como se eu fosse louca. Eles nem imaginam as loucuras que eu já tive de suportar contigo. Eu li um livro inteiro só para poder ter sobre o que conversar com você. Um livro inteiramente chato. Me desculpe mas eu não tenho interesse em saber sobre Mitologia. Quem se importa se Narciso morreu afogado? Cara, eu não!
Sem falar que Afrodite era uma louca. Não louca como eu porque não tenho nem a parte do amor e muito menos a parte do sexo.Sem falar que eu tive que adivinhar o significado de todas as suas tatuagens. O quão clichê é tatuar o simbolo do infinito? Aí me vinha você com todo aquele papo de intelectual falando que representava uma perspectiva onde as pessoas se submetem a cometer os mesmo erros sempre. E até hoje eu me pego pensando no que isso tem a ver com o simbolo do infinito.Mas tudo bem. 
Aliás, eu estou bem. 
Ah, quase ia me esquecendo! Eu assisti aquele filme que você gosta. "Sociedade dosa poetas mortos". Morta fiquei eu para aguentar assistir ao filme até o final sem dormir. Mas legal, aprendi o que é Carpe Diem.Agora algumas coisas que você me dizia fazem sentido.
Falando em fazer sentido, por favor, me diz que você cortou aquele seu cabelo e aquela sua barba! Não faz sentido continuar cultivando aquilo. Quando vinha me beijar, sua barba ficava se arrastando pelo meu rosto e meu queixo. Isso é insuportável! E seu cabelo? Você vivia insistindo, dizendo que era uma plantação de cachos. Eu nunca vi graça nisso. Isso me lembra daquela vez em que estava com dor de cabeça e você me disse que parecia que um dinossauro tinha pisado nos seus cachos. Amor, isso não foi engraçado!
Engraçado foi quando você tatuou uma borboleta... Não, era uma mariposa. Não, espera... Era uma borboleta mesmo. Quando você tatuou uma borboleta no peito. Até hoje eu acho que é uma mariposa, mas tudo bem! Eu digo que é uma borboleta!
Você é todo louco na verdade. Eu nunca gostei disso.O modo como você se veste me irritava profundamente. Sempre odiei aquela sua calça justa que você nunca trocava. Maldita calça jeans. Sem falar daquele seu sapato que você também nunca tirava.Ficava ainda mais irritada com você usava boné ou alguma bandana. Que coisa chata isso!
Mas na verdade não era nem sobre essas coisas que eu queria te falar. É que você esqueceu sua camisa comigo. Na verdade eu levei ela. Mas nem percebi. Quando me dei conta ela já estava aqui. Bem, de qualquer forma você nunca se importou mesmo.
Aliás, eu nem gosto dessa sua camisa. É meio gay. Ah, e tem uma foto aqui também. Uma foto sua comendo banana. Lindo não? Não. Tem algo escrito atrás. Você nunca perdeu essa sua mania insuportável de revelar as nossas fotos e escrever coisas atrás. Só fico imaginando quem ainda revela fotos? Pelo amor de Deus, ninguém mais faz isso. E você ficava me dizendo que era vanguardista e gostava de fazer as coisas que as pessoas já tinham esquecido.O irônico é que eu não esqueci. Isso fica me incomodando e rondando minha cabeça. Porque tem pessoas que gostam de fazer coisas chatas? Isso você poderia me responder. Igual aqueles passeios no parque. Era tanto verde que eu até chegava em casa psicodélica. Eu morrendo de vontade de assistir a um filme no Cinema com o Brad Pitt e você ia e me convencia a ir Espaço Itaú Cultural de Cinemas. Que porre! Eu só gostava da parte dos chocolates que você me comprava. Até porque se não comprasse eu ficava com cara de bravinha, fazendo birra e você vinha todo dançandinho me abraçar e me selar um beijo na testa. Não existe mais beijo na testa! Nem meu pai mais me beija na testa.E isso me lembrou de quando você me acordava no meio da madrugada só para ficar assistindo a chuva cair. Poxa, muito legal mesmo hein. Mas então, eu até que sobrevivi sem você. Só não sei se vou conseguir sobreviver comigo mesma. Mas acho que não será tão complicado, diferente de você eu sou legal. 
Tão legal a ponto de largar um cara chato como você e ir embora. Então querido, se chegar amanhã e você noticiar pelo telejornal que uma garota se autodestruiu, então finalmente pegue suas malas e suas tralhas filosóficas de quinta e vá embora. Até mesmo porque eu já fui.

Um comentário:

  1. Texto bem desgastante para o leitor. parece um desabafo e tanto. Senti como se você tirasse a terra das costas enquanto o texto eu lia.

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