segunda-feira, 10 de junho de 2013

Ser invisível nunca foi tão visível

Ser invisível nunca foi tão visível,
e fico aqui sozinha
remoendo o impossível,
descartando o imprevisto
de uma noite sem perigos.
Mas como seria eu tão inconveniente?
E fico aqui rangendo os dentes,
no frio de uma casa vazia,
analisando nas estrelinhas
alguma história que não foi dita.
Ninguém percebe,
ou vê,
ou lê,
ou sente.
Eu sinto,
eu sento,
eu deito,
mas não me contendo.
Ninguém me vê.
Ser invisível nunca foi tão visível,
ou imprevisível,
dançando um valsa sem graça,
deixando algumas poucas pegadas
em um chão de janelas estilhaçadas.
Ser invisível nunca foi tão visível,
e eu tentando enxergar em um filme
alguma semelhança com a vida,
o mais verossímil...
Mas dão dá.
Chuto os pratos,
bato as portas,
escancaro a cara
e me jogo na cama.
O que é isso?
É um mundo inteiro.
Inteiramente bagunçado,
sem falar dos casos,
os reais e os complicados.
Ser invisível nunca foi tão visível,
mas pensando bem não é tão ruim assim,
tenho uma imensa pseudo-liberdade,
em uma terra de loucos e insanidades sem fim.
Estou caindo na toca do coelho,
ou entrando na Caverna de Platão,
Já não sei mais o que falo,
ou o que faço,
mas continuo assim.
Bebo um pouco,
paro e penso como mais um louco:
"Sou apenas invisível
num mundo de pessoas visíveis demais."


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