domingo, 30 de junho de 2013

Faça-me um favor

Olá criança,
queria te pedir uma coisa.
Mas não faça dela pouca,
faça dela muito,
assim como eu fiz de você.
Então me ouça:
No meu mundinho sem graça
tudo se destrói com muita facilidade.
Parece uma casa de legos.
Mas legos são legais
E a minha casa não.
Mas entenda a minha causa,
não sou amada,
sou arquivada
em uma gaveta empoeirada
Assim, por nada.
Parece palhaçada,
mas essa palhaça já perdeu a graça.
Perdeu a saia em que se escondia
agora tudo o que sobrou foi mais um dia.
Mais um domingo,
mais um dia fatídico
em que a morte não lhe seria má convidada.
Apenas uma curiosidade sobre a ausência.
Parece que ninguém notaria,
ou se importaria
pois há sempre coisas mais importantes.
Mas faça-me um favor antes que eu parta,
durma ao meu lado
dando-me cuidados,
falando-me sobre a vida,
assim sem ironia,
bem diferente de mim.
Aliás, estou tentando mudar.
E já notei um pequenina mudança.
Mudei.
Mas não sei se serei capaz de mudar mais do que isso.
Mas não por isso.
Por mim.
Estou buscando ser alguém que eu sempre quis ser mas nunca fui.
E isto é triste.
É uma vida amarga.
Uma amargura doce de poesia
com gosto de sinfonia
de qualquer uma melodia
que percorre pelas avenidas
de uma mente fria.
Mas que não sejam pelos meios,
e sim pelo começos.
Me diga que na vida eu sempre estive certa,
faça-me este favor,
de contar ao mundo o tamanho da minha dor.
Mas não faça dela uma casa de vidros.
Isso parece triste demais até para a minha tristeza.
Faça dela uma silhueta.
A minha silhueta.
A de alguém perdido,
sem riscos a correr
nem nada a perder.
Alguém que pensa demais
se esconde demais
sente demais
e quer apenas um favor.
Então faça-me esta gentileza
de levar esta carta até nossa mesa,
a mesma em que eu imaginei por várias vezes nós.
Um nó da gente tomando cafés,
chás,
sucos,
tudo.
Só para estarmos juntos.
Faça-me este favor,
e por último
desconstrua, destrua e reconstrua minha casa de legos.
Aquela que não existe.
Faça-me este favor.
Ah!
E antes que eu me esqueça,
aquela palhaça se tornou minha defesa,
Afinal esta casa parece um circo,
mas que não seja por isso.
Que seja por mim.
Um beijo.

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