terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Conto - Valsa das mariposas

Ainda era cedo quando resolvi me levantar. Despertei com os berros de meu pai sobre os gritos da minha mãe. Discutiam quase todas as manhãs sobre coisas fúteis e muitas vezes banais. Não ligavam para o que realmente importava. No caso, os filhos.
Como filha mais velha, nunca tive voz ativa em casa. Chega a ser bizarro. Mas agora, eu já nem quero mais. Dane-se.
Por tantas dificuldades já passei e passo a cada dia, que os gritos de todas as manhãs são apenas o meu despertador. Ao menos economiza a bateria do meu celular.
Eu praticamente me joguei da cama ao chão, quase pelada, como sempre e com a porta trancada. Eram poucas as vezes em que deixava a porta aberta pela noite. Isso só ocorria quando o meu irmão me pedia, caso não conseguisse dormir. Ele me fazia companhia enquanto amanhecia e o silêncio se tornava mais precioso que ouro.
Já acordada, me despi ainda mais. Nua da cintura pra cima, enrolei os meus seios. Peguei uma nova atadura e protegi meu peito pequeno como se fosse um sutiã.
"Cubro meu peito com ataduras furadas na intenção de maquiar as minhas feridas abertas." -Pensei.
Vesti um moleton preto, e busquei minha bermuda jogada pela cama. Escondi todo o meu cabelo sobre uma touca verde musgo.
Desci as escadas. Desci as escadas puta com todo aquele barulho. Aqueles gritos intermináveis. As minhas pegadas marcavam cada degrau da escada com um rastro de sangue frio. Não tinha um puto no bolso no momento.
Tomei o skate pelas mãos, cortei o caminho selvagem dos meus pais. Observei sobre o que discutiam, e mais uma vez as contas de luz e água era o que os incomodavam. Saí pela porta e a bati na intenção de que seu ruído fosse mais alto do que aquela gritaria filha da puta.
Ainda me sinto meio pesada. Lezada. Zumbi.
 Acho que é o efeito dos calmantes de ontem. Dormi bem, confesso. Mas sei lá... Me sinto lerda. Drogas desgraçadas.
Atravessei toda a cidade e parti para a pista de skate. No caminho, eu tomei ousadia para enviar uma mensagem á Samanta. Cheguei na pista e a esperei por uns 20 minutos. Logo mais, passei a vê-la de longe se aproximar. Estava de longboard.
Sentou-se ao meu lado e me beijou.
Tagarelamos um pouco, mas por um momento eu percebi uma coisa. Ela estava estranha. Parecia não ter dormido tão bem quanto eu.
Ela não fazia noção do quão linda fica quando deixa o sol bater no seu rosto liso. Tudo que faz parte do meu universo feminino. Fodido universo feminino.
-O que?
Ela olhou para mim.
-O que o que? -Me respondeu.
-O que você tem?
Fez um sinal de "nada" com o rosto. Mas alguma coisa estava errada.
-Me diz... Quem sabe eu possa ajudar.
Silêncio.
-É o meu pai. Ele quer que eu vá passar um tempo na casa da minha avó.
Silêncio.
-E porque não vai?
Silêncio.
-Acho que seria o melhor lance para você agora. Está tudo tão bagunçado. Você sabe... Acabamos de nos formar. Seria bom pra você, ficar um pouco longe de mim. Respirar sozinha... Sem ajuda de aparelhos. -Eu terminei com um sorriso irônico. Minha melhor arma.
Respirei fundo. Nunca fui delicada para essas coisas. Me infiltrar na feridas dos outros sem ser chamada.
- Eu não preciso de aparelhos Dafine, respiro sozinha.
-Só estou dizendo que vai ser melhor para nós duas. Precisamos de espaço. Tenho umas coisas para fazer lá em casa. Tenho uns planos para nós. Para meu irmão... E eu quero que você vá. Com você aqui eu não vou conseguir pensar direito. -Pausa para respirar- Vamos cair na realidade Samanta. Quando você está por perto eu não penso muito, você sabe.
Senti uma imensa dor no peito quando terminei. Eu já sabia no que aquilo ia dar. E não seria muito agradável. Pelo menos não por enquanto. Mas eu tinha coisas a fazer, e eu ia fazer.
A minha dor maior era ficar olhando o vento balançar o seu cabelo cacheado, desviando o olhar direto com os seus olhos. Estava prestes a desmoronar.
-O que? -Ela me perguntou com os olhos serrados. Meu peito rasgava.
-O que o que? -Respondi.
Silêncio.
-Eu não acredito nisso... Eu não acredito nisso... -Ela sussurrava com as duas mãos nos olhos.
Enquanto isso eu vi em seu pulso direito aqueles antigos cortes. Já estavam cicatrizados, mas ainda marcavam. Não sumiriam.
Ela tirou as mãos dos olhos e arrastou o long para seu lado. Me olhou com aqueles olhos de águia e me questionou:
-O que você vai fazer? O que quer aprontar?
Eu sorri. Ela sorriu. Eu a beijei e ela cedeu.
Tinha que procurar um meio de mudar o rumo daquela conversa. A melhor maneira que arrumei foi calando a boca dela com um beijo. Não tinha mesmo o que falar. Não havia planejado nada. Só queria um tempo sozinha.
Um tempo com a minha adorável família.
-O que foi isso?
Mais uma pergunta que eu não sabia responder.
-Você volta quando?
-No final do outono. Ouvi dizer que as praças lá em Blumenau ficam lindas nessa época do ano. Mas eu não estou preocupada com isso não. Quero mais é conhecer os bares e a tão famosa cerveja.
Eu ri.
-É, moça. Talvez isso seja mesmo bom para mim.
Voltei a beijá-la. Depois falamos um pouco sobre o meu irmão.
Nada muito extenso. Depois daquilo, pegamos a estrada curta e paramos em um coreto do lado oeste da cidade. Quase uma cidade fantasma. Ninguém aparecia na hora errada. Poderíamos fazer o que quiséssemos ali... Fumar, cheirar, transar. Mas relaxar ali já estava bom.
Eu na parede gelada, ela em mim e o maço de cigarro em suas mãos.
Relaxar.
Ela estava perto de casa e eu queria voltar para a minha.
-Você acha que a gente ainda vai mudar?
Essa garota só me faz perguntas cabulosas. Isso me irrita na maioria das vezes.
-Sei lá... Talvez.
E eu sempre fui boa em enrolar uma conversa ou fugir do assunto. Não sou de ficar fingindo interesse em uma coisa que poderia me fazer dormir em 2 minutos.
-Eu não quero ser como o meu pai foi.
-Relaxa gata, você tem um cerébro. Ele não tinha.
Nunca manerei nos meus comentários. Tenho a mente aberta quando converso com ela. E ela nunca ligou para a minha ignorância a sentimentalismo. Só acho que ás vezes falo sem pensar. Mas foda-se, agora eu já falei.
-Não fála assim. O cara pode ter sido o filha da puta que fosse... Mas é meu pai. Ele cuidou de mim depois que minha mãe sumiu no mundo.
Eu tentei ficar calada. Segurei fundo na garganta aquelas palavras, mas era o que ela precisava ouvir.
-Ele te amamentou também? Te contou histórinhas da Disney pra você dormir? Ia nas suas reuniões escolares?
Silêncio. Ela encarava a parede gelada.
-Eu acho que não. -Completei.
-Ainda assim é o meu pai. Pode não ter sido o melhor pai do mundo, mas não me abandonou como a minha mãe.
-Teu pai se jogou no mundo também. Ele te deixava sozinha em casa aos 5 anos de idade para ir beber em um bar qualquer. Sejamos realistas... Ele não ia nas suas reuniões da escola porque estava bêbado demais para escutar uma voz sem que parecesse um berro. Não sabia nem onde deixava o dinheiro do pão...
-Cala a boca Dafine.
E eu calei. Mas não queria.
-Você se lembra dos 6 meses de reabilitação? Se lembra de nos mudarmos para cá, porque não tinha bares? Se lembra do meu sorriso ao eu escutar ele tocando violão na sala toda noite? Você se lembra?
Eu continuei quieta.
-Eu acho que não. -Ela completou. Nervosa. Com a voz trêmula.
-Sabe do que eu lembro Samanta? Eu lembro de você chorando todas as noites antes de dormir. Eu lembro que suas notas na escola só caiam. Eu lembro de você se cortando. Eu lembro de você indo almoçar na minha casa toda semana porque o seu pai não tinha dinheiro para comida. É disso o que eu lembro.
Olhei em seus olhos e percebi que era hora de calar a boca.
-Como você consegue ser tão... Tão... Você não pode simplesmente generalizar todos os pais do mundo só porque o seu não foi seu super herói. Nem todos são assim.
-Você sabe o que ele fez. Nunca vou deixar de odiá-lo por isso. Cada gota de álcool que eu tomo, eu brindo ao seu pai. -Ela ia me interromper, mas eu não deixei. -Eu brindo a ele por ter se tornado um homem á tempo. Ele fez isso por você. -Senti os meus olhos queimarem. As lágrimas estavam chegando. Porra. Odeio chorar discutindo. Ainda mais discutindo com ela. - Hoje, cada pessoa com quem eu vou para cama, eu dedico ao meu pai. Por ele ter se tornado um porco. -Ela me abraçou. Estava quente.- Eu tinha só 11 anos. FILHO DA PUTA. Eu nem sabia o que era mentruação ainda...
-Cala a boca. -Ela mandava.
Mas eu insistia em remoer o passado.
-CALA A BOCA CARALHO. Pare de chorar por isso. Hoje você é mais forte que tudo. E eu gosto de você por isso. Você nunca demonstra fraqueza. É sempre aquela menina madura. Mas é só falar do seu pai que você desaba. Está na hora de crescer. Pensa nisso enquanto eu estiver fora. Se vira aí sem mim.
Ela levantou, pegou o long e me mandou um beijo de longe. Ela tinha razão. E eu odiava isso.
-E pára de falar assim do meu pai. Ele é um bom sujeito. Só passamos por tempos difíceis.
Silêncio.
Samanta abaixou-se e me beijou na testa. Seguiu a estrada de asfalto para casa. E eu continuei jogada no canto daquela parede gelada. Tinha que ir para a minha casa. Comer alguma coisa. Fazer planos.
***
O tempo passou tão rápido que eu mau percebi.
Nesses três meses em que passei sem falar e sem ver a Samanta eu tornei a minha vida em uma coisa vagal. Não fiz nada de muito produtivo. Passei a ficar mais tempo com o meu irmão. Conversar com alguém de 7 anos de idade é sempre bom. É uma linda inocência.
Também passei a tomar mais calmantes. Acho que me viciei nessa droga. Mau saí de casa. Passei a maior parte do tempo no meu quarto. Até almoçava lá.
Até que numa madrugada dessas eu escutei o meu pai conversando com a minha mãe sobre um uma garrafa com um liquído verde que ele havia encontrado no armário do meu quarto.
Eu sabia sobre aquilo. Era sobre o meu absinto.
Estavam conversando em tom baixo, mas logo virou uma discussão. Tentavam falar baixo para não acordar o Caio. Mas eu nem dormia mais.
Levantei e revirei as minhas coisas. Achei um pacotinho de coca. Pensei que não tinha mais. Cherei.
Espero ter controle logo. Não quero estourar o meu nariz nessa porra.
Me arrastei para debaixo da cama e peguei aquela garrafa de vodca de dois dias atrás. Entornei cerca de 7 goles.
Depois bebi mais e esvaziei a garrafa.
Peguei os meus trapos de dentro do meu armário. Juntei-os dentro da minha mochila. Só o que fosse importante. Algumas roupas, cigarros, um tênis, meus livros. Só o necessário.
Eles tentavam falar baixo, mas era possível escutar aquela coisa á três quarteirões de distância. Pareciam ratos na minha cabeça.
Já havia acostumado ouvir eles falando de mim. Que eu sempre fui um mau exemplo, eu sei. Eu não entendia mais nada. Já não fazia mais sentido fazer parte daquilo. Na verdade, acho que só resisti até hoje pelo meu irmão.
Deitei no chão. Encarei o teto do meu quarto. Via mariposas. Elas dançavam no meu teto acompanhando uma valsa descompasada. MALDITAS MARIPOSAS. Elas sabem que eu odeio valsa.
Vá dançar valsa nos salões do inferno. Malditas.
Mas esse nem era o meu problema maior.
"Quem é essa garota caída no chão do meu quarto?"
Calor. Passei a tirar a roupa.
Me encarei no espelho. Mau me reconhecia.
Estava só de calcinha.
Olhava para os meus braços, e eu ainda possuía aquelas marcas.
Havia uma delas que desenhou um oito. Era o infinito para mim.
Passou tanta coisa pela minha cabeça. Ela doía. Samanta chegara a três dias.
Só pensava nela. Sei lá. Talvez eu não seja mesmo o melhor exemplo, ou a melhor pessoa do mundo... Mas eu nem ligo. Não quero virar padre e nem ser lembrada em um mural de família como a melhor filha que uma mãe poderia ter.
Liguei o meu computador.
Era aminha última noite ali. Tinha que me despedir com classe.
A musica It's A Man's Man's Man's World de James Brown entrava em um círculo infinito.

Este é um mundo de homens, este é um mundo de homens
Mas não seria nada, nada sem uma mulher ou uma menina

Veja, o homem fez os carros para nos levar ao longo da estrada
O homem fez os trens para transportar cargas pesadas
O homem fez a luz elétrica para nos tirar da escuridão
O homem fez o barco para a água, como Noé fez a Arca

Este é um mundo dos homens, dos homens, dos homens
Mas não seria nada, nada sem uma mulher ou uma menina

Homem pensa sobre um menininhas e um bebezinhos
O homem os faz feliz porque o homem faz brinquedos para eles
E depois de o homem ter feito tudo, tudo que ele pode
Você sabe que o homem faz dinheiro para comprar de outro homem

Este é um mundo de homens
Mas não seria nada, nada sem uma mulher ou uma menina

Ele está perdido na imensidão
Ele está perdido na amargura

Acordei junto com o sol. Tinha vômito ao meu lado. Não lembro de ter vomitado.
Minha cabeça rodava muito. Ao fundo, ainda tocava música. Parecia quase um chiado em minha cabeça.
Tomei um banho e limpei o meu quarto.
Revirei o meu colchão e peguei todo o dinheiro que eu havia juntado.
350. Esse era o valor para me sustentar durante um tempo.
Peguei meu skate, escancarei a porta do meu quarto e desci a escada.
Meus pais já estavam despertos. Melhor assim.
Caio ainda dormia.
Havia deixado um bilhete ao seu lado com o meu par de meias preferido. O do Bob Esponja.
Eu sabia que ele gostava.
Me sentia estranha. Caracas, com uma sensação muito ruim.
Mas eu queria.
Cheguei na cozinha e a minha garrafa de absinto estava sobre a mesa com o meu pai sentado de braços cruzados e minha mãe cozinhando o feijão.
"Dia." Fora a única palavra que consegui falar.
-Vai me falar o que é isso? -Meu pai já me interrogava.
Peguei um pão na mesa.
-É uma garrafa de absinto. Exatamente como está escrito no rótulo.
-Você acha que eu estou de brincadeira??! -Ele se levantou. -Eu já cansei de você encontrar garrafas de bebida nessa casa.
Acho que ele estava esperando eu falar alguma coisa. Geralmente eu não sou de ficar quieta. Mas hoje era um dia especial. Estava bufando para o que ele falava e pensava.
Permaneci quieta.
Esperei ele terminar de falar. Escutei tudo. Pela primeira vez.
Terminei de comer o pão e dei um beijo na minha mãe. Segurava firme para não deixar as lágrimas caírem.
Ela não entendeu. Mas não tinha nada para explicar.
Meu pai só observava.
Quando me virei para pegar a minha mochila, vi meu irmão sentado na escada com o meu par de meias nas mãos. Pequeninas mãos inocentes.
O meu bilhete estava ao seu lado. No degrau da escada. "Cuide das mariposas por mim. Elas também gostam de você. Aliás, são ótimas bailarinas."
Era a minha frase de adeus.
Te cuida muleque.
-Vai me explicar o que está acontecendo Dafine? Ou o seu pai não merece as suas satisfações?
Eu permaneci quieta. Tirei a garrafa da mesa e segurei nas mãos.
Meu pai repetiu a pergunta enquanto eu me dirigia até a porta.
-Aonde você pensa que vai? Vai sair assim, calada? Olha para mim quando falo com você?
BLÁBLÁBLÁ. Talvez eu seja uma filha da puta mesmo.
Voltei e peguei três lírios artificiais que estavam em um vaso sobre o mesa. Enfiei no bolso.
Estava saindo novamente.
-Estou de sáida. Vou pegar o trem das onze.
Saí e bati a porta. Aquela batida até que podia ser mais alta que os meus pensamentos.
Nem senti a minha mão. Nem havia penteado o cabelo. Um gelo se formava em meu peito. Estava enlouquecendo.
Guardei o absinto na minha bolsa.
Logo mais estava no portão de Samanta.
Ela descabelada apareceu na janela.
-Vou pegar a estrada para o litoral. Vem comigo.
-Como? Eu não posso sair de casa assim... Do nada.
Eu dei risada. Era muito bizarro. Eu tinha aquela sensação de estar fazendo a coisa mais errada do mundo. Mas no momento mais certo.
-Claro que pode, gata. Eu fiz isso. E é só por um tempo. Não se preocupe. A gente volta a tempo do aniversário do seu pai.
Silêncio.
-Sei. -Ela disse. -E vai me dizer o que significa essa mochila?
-Ah sim... São minhas coisas. Estava pensando... Acho que vou começar a "dançar bem devagar".
Nós rimos.
Ela sabe. Eu sempre invejei os libertinos. Aqueles vagabundos que vão dormir a hora que quer. Que vivem de arte. Eu tinha a minha câmera no meio dos meus trapos. Não precisava de muito. Só de recuperar a minha vida a tempo.
Precisava seguir os passos daquela valsa descompassada. Só que eu nunca aprendi. Eu nunca soube dançar. Por isso vou começar bem devagar.
Quem sabe um dia me apresente nos salões do inferno. E quem sabe nesta noite eu possa matar a saudade da vida que eu abandonei.
Reencontrar meu irmão. Escrever um livro, virar padre.
Ela ia comigo. Não parecia real.
Só não quero mais sair daqui. Deste lado da vida.
Dançando no som da música. Bem devagar.
A consiência só ia pesar depois mesmo. Por isso estávamos envolvidas naquela valsa bipolar. Meras crianças irresponsáveis, mas sem contas para pagar.

Sozinha Dançando A Música
Felipe Ricotta

E se você não consegue dançar tão devagar
Então o que cê tá fazendo aqui?
Porque eu não tenho motivo para me apressar
E eu não quero mais sair daqui
Enquanto você nunca aprende
Eu fico te esperando pra gente errar o quanto quiser
E se desprender mais um pouco
Porque nunca dura tanto tempo
Eu já tô quase lá onde eu quero chegar
E você vai querer me acompanhar quando eu voltar?
"Olha, o amor já tá vazando pros outros e você vai mesmo me deixar aqui sozinha dançando a música?"

2 comentários:

  1. Nossa nega adorei, mto bomm parabéns!!!

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  2. Soa como renovação espiritual, eu só posso ser muito filha da puta mesmo.. a cada gota, a cada gota de absinto, eu ganho folego...

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